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Archive for Junho, 2008

Criadas imagens quânticas, rumo ao computador quântico

Fibras ópticas transmitem gigantescas quantidades de informação, utilizando fótons individuais. Agora imagine se for possível transmitir uma imagem inteira, formada por bilhões de fótons. E que, se você alterar a cópia dessa imagem que fica na origem, a cópia que chegou ao destino também seja imediatamente alterada, sem necessidade de nenhuma nova transmissão.

Conectadas pela física quântica

São assim as imagens quânticas, demonstradas pela primeira vez por físicos da Universidade de Maryland e do instituto NIST, ambos nos Estados Unidos. Imagens quânticas são pares de padrões visuais complexos, contendo grande quantidade de informação, e que são inextrincavelmente conectadas pelas leis da física quântica.

As duas imagens de cada par são unidas pelo fenômeno conhecido como entrelaçamento quântico. Depois de entrelaçadas, uma das imagens pode ser levada para o outro extremo do Universo, que ela sofrerá as mesmas alterações que forem induzidas na sua “irmã gêmea”. Mesmo sendo duas imagens, elas existem como uma individualidade, não sendo possível falar delas separadamente.

Para fazer as imagens quânticas os cientistas precisaram antes criar dois feixes de luz idênticos que interagem por meio de uma técnica conhecida como mixagem de quatro ondas. Ao contrário de tentativas anteriores, o experimento foi considerado pelos especialistas como extremamente simples, versátil e eficiente.

Aplicações práticas

“As imagens sempre foram o método preferido para a comunicação porque elas carregam muitas informações em seus detalhes,” afirma Vincent Boyer, um dos autores da pesquisa. “Até agora, porém, as câmeras e outros detectores ópticos têm ignorado um monte de informações úteis nas imagens. Tirando vantagem dos aspectos de mecânica quântica das imagens, nós podemos melhorar aplicações que vão desde tirar fotografias de objetos difíceis de se ver até armazenar dados nos futurísticos computadores quânticos.”

“Incertezas” da luz

As fotografias convencionais guardam apenas a cor e a intensidade da luz que incide sobre os sensores (ou sobre os antigos filmes fotográficos). Já a holografia guarda uma informação adicional: a fase da onda, os pontos precisos dos picos e dos vales das ondas de luz.

Só que uma onda de luz é muito mais rica e possui muito mais propriedades do que essas. Mesmo os mais precisos feixes de raios laser apresentam variações sutis porque, como demonstra a mecânica quântica, a luz possui algumas “incertezas” inerentes à sua estrutura. Essas incertezas se apresentam como flutuações nas propriedades do feixe de luz ao longo do tempo – o chamado “ruído”.

É o controle dessas flutuações que permitirá aos cientistas detectar objetos de luz muito fraca, produzir imagens ampliadas de melhor qualidade e produzir raios laser muito mais precisos do que os atuais.

Imagens quânticas congeladas

Vislumbrando futuras aplicações também no campo da computação quântica, os cientistas agora querem “congelar” a luz de suas imagens, produzindo imagens quânticas com luz que viaja a velocidade menores do que a velocidade normal da luz.

Essas imagens quânticas congeladas poderão ser úteis para o armazenamento e processamento de informações em futuros computadores quânticos ou ópticos (veja Cientistas aprisionam arco-íris no interior de um metamaterial).

Fonte: Inovação Tecnológica

MS lança software de virtualização

26 Junho, 2008 renatoxavier 1 comentário

A Microsoft disse nesta quinta-feira que iniciou as vendas de seu novo software de virtualização de servidor seis meses antes do planejado, colocando, assim, pressão na VMware, que é a líder do segmento.

O software de virtualização de servidor permite que uma máquina trabalhe como vários servidores, proporcionando economia em equipamento, eletricidade, manutenção e outros custos.

Clientes da MS podem baixar o produto, o Hyper-V, diretamente de seu site, disse a empresa.

A entrada da MS no mercado de virtualização dará aos consumidores da VMware mais poder de barganha, disse Laura Didio, analista do Yankee Group.

“Os produtos da WMware têm ótima funcionalidade mas vêm com preço alto”, disse ela.

“Eu sempre aconselho às empresas a brigar por preços quando negociarem com as companhias de software”, disse Didio. “O mercado está para os compradores.”

A VMware domina quase que absoluta o mercado de software de virtualização. A EMC possui 86% da empresa. Seus competidores são a Oracle, Citrix Systems, Virtual Iron e Parallels.

Fonte: Info Online

Conheça as opções de certificação em gerenciamento de projetos

A importância de ter uma certificação na área de gerenciamento de projetos é uma discussão freqüente entre profissionais do setor. Ela não garante um bom emprego, aumento salarial ou promoção, mas funciona como uma comprovação de que o profissional tem habilidades técnicas para atuar como gerente de projetos.

“A certificação auxilia na tomada de decisão de quem está contratando, mas não garante a competência do profissional”, diz Keiji Sakai, Head of IT do JP Morgan.

Quem tem interesse em obter uma certificação deve ficar atento às opções existentes no mercado. Entidades como PMI (Project Management Institute), ABGP (Associação Brasileira de Gestão de Projetos) e a Prince2 oferecem diversos tipos e níveis de certificação. A seguir, você confere informações sobre custos, prazos e reconhecimento de cada uma delas.

PMI

PMP: O Project Management Institute oferece a PMP (Project Management Professional), mais reconhecida e tradicional certificação em gerenciamento de projetos em todo o mundo. Há mais de 5,7 mil profissionais PMP no Brasil, segundo dados de março do capítulo de São Paulo do PMI.

Para obter essa certificação, é preciso ter 4.500 horas de experiência e 36 meses em gerenciamento de projetos. Profissionais sem diploma de nível superior devem contar com 7.500 horas e 60 meses de experiência na área. O PMI também exige 35 horas de treinamento na área.

A base para a prova é o PMBOK, compêndio das melhores práticas de gerenciamento de projetos, mas existem treinamentos específicos para o exame, assim como outros livros que podem servir de apoio.

Uma vez certificado, a cada três anos o PMP precisa comprovar, junto ao PMI, que continua se desenvolvendo na área. Para isso, no período, ele deve somar 60 PDUs, que funcionam como créditos que ele acumula ao realizar atividades como palestras, artigos, cursos ou participação em projetos.

Em São Paulo, associados do PMI pagam 405 dólares para fazer a prova. Quem não é associado desembolsa 555 dólares. Informações sobre cursos, material de apoio e como marcar a prova, estão disponíveis no site do PMI.

CAMP: Para profissionais que não têm ou acumulam pouca experiência em liderar um projeto, a indicação do PMI é a certificação CAPM (Certified Associate in Project Management). O exame custa 225 dólares para membros do PMI e 300 para quem não é associado. Há 21 CAMPs no país.

Para se submeter a esta prova, é preciso acumular 23 horas de treinamento em gerenciamento de projetos ou no mínimo 1.500 horas como membro de equipe de projeto. Os candidatos precisam ter pelo menos segundo grau completo.

Esta certificação tem validade de 5 anos e ao final deste período, o profissional pode se submeter a uma nova prova ou optar pela certificação PMP, caso possa comprovar a experiência exigida pelo PMI.

PgMP: A Project Management Professional é voltada para gerentes de programa, ou seja, para profissionais que gerenciam vários projetos de forma coordenada com um objetivo comum.

Quem tem curso superior precisa ter, nos últimos 15 anos, quatro anos de experiência em gerenciamento de projetos e outros quatro em gerenciamento de programas. Se o candidato não tem graduação, deve ter quatro anos de experiência em gerenciamento de projetos e outros sete anos em gerenciamento de programas.

O profissional é avaliado em três etapas. Durante o processo de inscrição, será considerada sua experiência profissional. Se for aprovado, ele passará para a segunda etapa, com uma prova de múltipla escolha sobre questões ligadas à rotina de gerenciamento de projetos.

A terceira fase é um exame 360 graus para avaliar habilidades em tarefas ligadas ao gerenciamento de programas. O candidato também deverá preencher uma auto-avaliação e indicar 12 pessoas como referência para avaliação.

O processo completo custa 1.500 dólares, para associados PMI, e 1.800 dólares para quem não é membro do instituto. Segundo o PMI, há apenas dois PgMPs no Brasil.

PMI-SP: A certificação PMI Scheduling Professional foi lançada recentemente. Ela é voltada para profissionais que respondem pelo cronograma, pelo planejamento de um projeto. O exame custa 520 dólares para associados e 670 para não-associados do PMI.

Prince 2: Mais conhecida na Europa, especialmente no Reino Unido, a Prince2 ainda está dando os primeiros passos na América do Sul. Com proposta totalmente diferente das certificações do PMI, a Prince 2 é uma metodologia e tem como objetivo estabelecer um passo a passo para gerenciar projetos. Ela tem três níveis de certificação: Foundation, Practicioner e Instrutor Certificado.

Os dois primeiros não exigem qualquer tipo de experiência prévia e são cumpridos dentro de um mesmo treinamento de 40 horas, realizado em uma semana. A prova do Foundation acontece na quarta-feira e a do Practitioner, na sexta.

Para passar pelo terceiro nível, o profissional deve comprovar horas de experiência e é auditado pelo OGC (Office of Government Commerce). O exame, neste caso, só pode ser aplicado por um instrutor Prince2 – há apenas dois no Brasil, segundo a Elumini, consultoria oficial dessa metodologia por aqui, que está estruturando um treinamento no país.

O custo estimado do treinamento das duas primeiras etapas é de 7 mil reais por aluno, de acordo com a Elumini. É possível comprar o manual do Prince2, em inglês, pela Internet e fazer as provas na Inglaterra. O valor dos dois exames é 555 libras, aproximadamente 1.760 reais.

No site da APMG, órgão responsável por manter a padronização no treinamento e na certificação da Prince2, há a informação de que é possível fazer testes fora do Reino Unido, no British Council. No entanto, a unidade do Brasil informou que não tem a estrutura necessária para aplicar o exame.

IPMA: A certificação da International Project Management Association, representada no país pela ABGP (Associação Brasileira de Gestão de Projetos), tem quatro níveis: a (diretor de projetos associado), b (gerente de projetos sênior certificado), c (gerente de projetos certificado), d (associado em gerenciamento de projetos certificado).

A estimativa é que existam cerca de 70 profissionais certificados no Brasil, em todos os níveis. A IPMA pretende avaliar não apenas o conhecimento dos profissionais sobre as melhores práticas, mas também suas competências.

As certificações c e d são as únicas que exigem a realização de exames. No d, não é preciso ter qualquer experiência prévia e a avaliação se dá exclusivamente por meio da prova. Já no c, é necessário contar com três anos de experiência e o processo de avaliação envolve entrevista, exame e avaliação do currículo do candidato.

Já o nível b exige cinco anos de experiência em gerenciamento de projetos, dos quais três como gerente de projetos complexos. O candidato também passa por entrevista e avaliação curricular, além de ter que apresentar um relatório de projeto no formato de dissertação.

O nível a ainda não é oferecido pela ABGP, pois a associação terá que trazer profissionais do exterior para certificar pessoas no Brasil. Os requisitos de certificação, no entanto, são mesmos do nível b. A exceção é que o tempo de experiência na área sobe para 10 anos, metade como diretor de programas.

Os custos das certificações para não-sócios da ABGP giram em torno de 650 reais, no nível d; 1.400 reais, no nível c; e 3.450 reais no nível b. Sócios têm desconto de, em média, 20% sobre esses valores.

Para obter o título, candidatos que não-graduados devem ter 5 mil horas em desenvolvimento de cronogramas dentro dos últimos 5 anos e 40 horas de educação formal. Profissionais com curso superior precisam de 3.500 horas em desenvolvimento de cronogramas nos últimos 5 anos e 30 horas de educação formal.

Fonte: Computerworld

Dell anuncia novos serviços de storage e recuperação de desastres

A renovação do portfólio de serviços da Dell, que começou no ano passado em meio a uma crise financeira sem precedentes na empresa, ganhou novos capítulos. A companhia anunciou que vai oferecer ferramentas e consultoria sobre backup e gestão de desastres.

A Dell já tinha feito consultoria de armazenamento e recuperação de desastres, mas será a primeira vez que eles serão colocados de maneira conjunta para o mundo inteiro, disse Paul Kaeley, consultor líder de storage da Dell. O executivo disse que os preços vão ser definidos conforme o tamanho e a complexidade dos projetos.

A oferta de recuperação de desastres terá dois níveis. O primeiro foca nos clientes médios e promete proteger os dados em aplicações críticas e dar as ferramentas para restaurar as operações de TI em caso de desastre.

O segundo nível, mais especializado, está focado em grandes clientes ao criar e implementar planos de recuperação de desastres, prometendo oferecer ferramentas e pessoas para garantir isso.

A guinada da Dell para serviços é tão forte que especialistas apontaram a compra da EDS pela HP por 13,5 bilhões de dólares como uma maneira da HP bloquear o crescimento da rival no segmento de terceirização.

A mudança nos serviços mostra o esforço da Dell de reduzir os custos de manutenção de TI ao customizar o hardware, software e serviços. A empresa comprou companhias como a MessageOne e Everdream para reforçar o seu portfólio de gerenciamento remoto.

Fonte: Computerworld

TIM será 1ª com iPhone 3G, diz Época

Ubuntu anuncia sistema operacional Linux para ultraportáteis MID

A comunidade Ubuntu Linux lançou na terça-feira (24/06) a primeira versão para desenvolvedores do novo sistema operacional de código aberto, Ubuntu Mobile Internet Device (MID) Edition 8.04. A versão foi criada para dispositivos móveis com conexão à internet, baseados nos processadores Atom da Intel, mais conhecidos como ultraportáteis MID (Mobile Internet Devices).

Baseado no sistema operacional Ubuntu Desktop Edition, o MID Edition 8.04 foi desenvolvido pela comunidade Ubuntu Mobile and Embedded, em cooperação com o grupo Intel Moblin.org, informa a Ubuntu.

Algumas aplicações da versão desktop foram modificadas para se adaptarem às telas de ultraportáteis, trabalhando melhor com telas sensíveis ao toque, explica a empresa. O sistema operacional inclui um browser especialmente desenvolvido para os ultraportáteis, baseado no Gecko, engine de renderização da Mozilla, com funções de zoom para facilitar a leitura de informações em telas pequenas. O MID Edition também conta com aplicações de e-mail, calendário, leitura de documentos e media player.

Gerry Carr, gerente de marketing da Canonical Ltd., empresa que oferece suporte comercial ao Ubuntu no mundo todo, afirma que a nova versão MID do Ubuntu Linux é voltada inicialmente a desenvolvedores, que trabalham com o segmento de portáteis, exceto celulares. O novo sistema está disponível gratuitamente para download free download.

“Esperamos que um derivado do Ubuntu MID comece a ser distribuído aos aparelhos no final do ano”, prevê Carr.

No início deste mês, a comunidade Ubuntu anunciou uma outra versão personalizada de seu sistema operacional, o Ubuntu Linux Remix. A versão foi desenvolvida para rodar na nova geração de “netbooks”, que são micros menores, de baixo custo, equipados com armazenamento em flash, que consomem menos energia.

Fonte: IDG Now

Microsoft diz que venderá Windows 7 em 2010

Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!

É com imenso prazer que venho ajudar a nossa comunidade Livre. Ajudem também. :)
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Criada memória não-volátil de plástico de baixíssimo custo

Pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, desenvolveram um componente eletrônico ferroelétrico que permitirá a construção de memórias não-voláteis de baixíssimo custo, com potencial para substituir as memórias Flash.

O componente é um diodo orgânico flexível, que pode ser fabricado por impressão, em vez dos tradicionais métodos de fotolitografia, o que o tornará muito mais barato.

Memória para etiquetas RFID

Segundo os pesquisadores, as novas memórias serão ideais para equipar etiquetas RFID, que começam a ser utilizadas na substituição dos códigos de barras para monitoramento e rastreamento de produtos. Hoje essas etiquetas possuem memórias muito pequenas, na maioria das vezes suficiente para armazenar apenas um código numérico único de 128 bits.

O desenvolvimento do diodo foi feito em parceria com a empresa Philips e é um avanço em relação a um desenvolvimento anterior, feito em 2005 (veja Philips desenvolve nanomemória não volátil).

Transístor plástico

Em 2005 os pesquisadores criaram a nanomemória não-volátil integrando um polímero ferroelétrico sobre um transístor orgânico, feito de material plástico, criando uma memória conhecida como memória por alteração de fase.

Quando tentaram levar sua nanomemória para a linha de produção, contudo, os pesquisadores descobriram que os três terminais do transístor tornavam o processo produtivo muito complicado, anulando os ganhos de eficiência do material.

Diodo ferroelétrico

Então eles passaram a pesquisar como construir a mesma memória, com a mesma funcionalidade, mas utilizando um componente mais simples do que o transístor. Esse componente é o diodo, que tem apenas duas conexões.

A descoberta veio quando o pesquisador Kamal Asadi deixou de lado a idéia de empilhar as camadas semicondutoras e ferroelétricas e resolver fazer uma “sopa” com os dois materiais. O comportamento da parte ferroelétrica do composto mostrou-se totalmente suficiente para controlar a corrente contínua que flui através da parte semicondutora do material híbrido.

Célula de memória

O novo diodo, que é uma célula de memória, pode ser programado rapidamente, retém os dados na ausência de energia e funciona a temperatura ambiente.

As tensões necessárias para a gravação dos bits nos diodos de memória são baixas o suficiente para viabilizar a utilização comercial em conjunto com as etiquetas RFID, mas sem se limitar a essa aplicação em particular, podendo potencialmente serem utilizados em todas as aplicações que hoje utilizam as memórias Flash.


Bibliografia:
Organic non-volatile memories from ferroelectric phase-separated blends
Kamal Asadi, Dago M. de Leeuw, Bert de Boer, Paul W. M. Blom
Nature Materials
15 June 2008
Vol.: Advance online publication
DOI: 10.1038/nmat2207

Fonte: Inovação Tecnológica

Novo “metal” é criado pela junção de dois plásticos

Cientistas holandeses descobriram que basta juntar dois tipos específicos de plásticos, ambos naturalmente isolantes, para que surja em sua interface uma camada capaz de conduzir eletricidade de forma tão eficiente quanto um metal.

Juntando plásticos

A descoberta lança as bases para uma nova área de pesquisas com importantes aplicações tecnológicas, que vão da possibilidade de se construir circuitos eletrônicos utilizando materiais não-condutores até a criação de novas famílias de supercondutores.

A equipe do Dr. Alberto Morpurgo, da Universidade de Tecnologia de Delft, simplesmente juntou um pedaço do plástico TTF (tetratiofulvaleno) com outro pedaço de um plástico conhecido como TCNQ (tetracianoquinodimetano). Os cristais dos dois plásticos conformam-se uns aos outros e se mantêm unidos pela força de Van der Waals.

Interface condutora

Essa interface, que tem uma espessura de apenas dois nanômetros, não apenas conduz eletricidade, como conduz com mesma eficiência observada em metais. Não há qualquer alteração química nos dois plásticos, que podem ser separados e unidos inúmeras vezes, com o efeito sempre aparecendo em sua interface.

Supercondutividade em plásticos?

A seguir os cientistas resfriaram o conjunto, esperando que o efeito de condução desaparecesse, uma vez que a capacidade de isolamento de cada um dos plásticos individualmente aumenta com a queda da temperatura – quanto mais frio, mais eles resistem à passagem da corrente elétrica.

Para sua surpresa, porém, a condutividade elétrica aumentou com a queda na temperatura, da mesma forma que acontece com os metais. Em temperaturas próximas ao zero absoluto algumas ligas metálicas tornam-se supercondutoras, o que faz os cientistas acreditarem que novas pesquisas poderão levar à observação do fenômeno da supercondutividade também nas interfaces entre materiais orgânicos.

Migração de elétrons e lacunas

Os cientistas acreditam que a camada condutora que surge na interface entre os dois materiais nasce em decorrência da oportunidade que os elétrons livres no TTF, que não conseguem se mover dentro do próprio material, passam a ter de saltar para as lacunas presentes no TCNQ. Esse intercâmbio contínuo permite que os elétrons fluam ao longo da interface.

Física das interfaces

A maior parte dos materiais semicondutores – a base da eletrônica atual – também funciona graças a fenômenos físicos na interface entre diferentes tipos de materiais. Para isso, esses semicondutores são dopados com minúsculas quantidades de elementos – como germânio, gálio e outros – para que o silício atinja as propriedades eletrônicas desejadas.

Já a camada condutora entre o TTF e o TCNQ surge sem que nenhum material precise ser adicionado, simplificando um processo que poderá levar ao desenvolvimento de uma nova classe de materiais orgânicos com propriedades eletrônicas ainda desconhecidas.


Bibliografia:
Metallic conduction at organic charge-transfer interfaces
Helena Alves, Anna S. Molinari, Hangxing Xie, Alberto F. Morpurgo
Nature Materials
15 June 2008
Vol.: 7 No 6 pp 419-509
DOI: 10.1038/nmat2205

Fonte: Inovação Tecnológica